Peregrinação Jubilar da Esperança
Vivemos o Jubileu da Esperança! Nos dias 14 a 18 de Julho de 2025, realizámos a peregrinação jubilar da Unidade pastoral Aeminium a Roma. Fomos um grupo alargado de 47 peregrinos de diferentes idades e vivências. Desde logo, esse foi um enorme proveito para todos! Peregrinar a Roma neste Jubileu da Esperança constitui um dom inestimável! Tivemos também a mais valia da orientação do grupo pelo P. Pedro Santos e não resistimos a resumir um pequeno diário destes dias:
Dia 1
Na nossa primeira tarde em Roma, tivemos oportunidade de fazer um passeio a pé durante o qual visitámos o Coliseu, os fóruns Romanos, o Arco do Triunfo de Constantino e a basílica de São Pedro in Vincoli onde se destaca a escultura de Moisés da autoria de Miguel Ângelo.
Terminámos a tarde com a eucaristia celebrada pelo P. Pedro Santos na Casa Bonus Pastor: um local pleno de serenidade e propício à vivência profunda da fé, um refúgio no meio de Roma.
O primeiro dia foi um dia pleno: Sentimo-nos Peregrinos da Esperança!

Dia 2
Neste segundo dia, após a oração das Laudes e tendo ainda presente as rosas da Rainha Santa, que havíamos celebrado dias alguma horas antes da nossa partida, nada melhor que começar o dia com uma breve passagem pelo Roseto, jardim das rosas, construído no local do antigo cemitério hebraico!
Continuando no Aventino seguimos para a Basílica de Santa Sabina (século V) a mais antiga basílica romana em Roma que ainda preserva a sua planta retangular e arquitetura original. A sua porta também original, contem uma das primeiras representações da cruz e é realmente algo de extraordinário.
Continuámos o nosso percurso à procura de um dos segredos de Roma, que encontrámos na Praça da Ordem de Malta literalmente olhando pelo buraco da fechadura.
Refrescámo-nos numa paragem inspiradora na Basílica de S Anselmo, basílica do século XIX, ligada aos estudos da sagrada liturgia, onde tivemos o privilégio de visitar o seu claustro.
Neste segundo dia de peregrinação tivemos um outro convite à memória e à contemplação espiritual: uma visita à igreja de Santo Alessio, que nos relembrou a humildade e sacrifício deste Santo que viveu no vão da sua própria casa como mendigo sem ser reconhecido pela sua família. Aqui pudemos rezar pelos pobres e humildes.
Após este momento de interiorização e reflexão, entrámos no jardim das laranjeiras, um espaço onde o tempo desacelera e a alma respira, onde por breves minutos podemos contemplar a cidade eterna.
Já de fôlego recuperado seguimos para a Basílica de Santa Maria in Cosmedin, igreja de rito bizantino construída sobre um antigo templo romano, onde se encontra a boca da verdade e a cripta do Papa Adriano I: um verdadeiro símbolo da união entre o Oriente e o Ocidente Cristão.
Um dos momentos mais esperados do dia surgiu com a chegada à Basílica de Santa Maria Maior onde atravessámos a primeira Porta Santa cantando o Hino do Jubileu.
Foi tempo de refletir e interiorizar. Foi uma experiência profundamente comovente estar num espaço onde parece que o Céu toca a Terra, e onde se sente a presença da Mãe de Deus. É um lugar que chama à transformação interior, é um convite aberto à oração, ao silêncio e à renovação da fé.
Seguimos depois para a Basílica de Santa Prassede que contém um conjunto espantoso de mosaicos do século VIII, especialmente na abside e na Capela de São Zenão, considerada um dos melhores exemplos do estilo bizantino no Ocidente. Nesta basílica também está guardada a coluna da flagelação de Cristo.
Estas visitas foram uma verdadeira travessia interior, uma reverência silenciosa à fé que atravessou séculos.
O dia terminou com uma Celebração Penitencial. Foi como fechar os olhos diante do perdão de Deus - um gesto de entrega, humildade e renovação. Um complemento da nossa preparação interior desta peregrinação jubilar da esperança.

Dia 3
No terceiro dia chegámos ao ponto alto: a Peregrinação à Porta Santa! Em verdadeiro espírito fraterno, começámos o dia com a oração das Laudes e partimos para a Basílica de São Pedro, com o objetivo de atravessar a Porta Santa.
Após alguns dias de preparação por meio da oração individual e comunitária, bem como da vivência dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, dirigimo-nos ao início da Via della Conciliazione e seguimos, unidos num só coração, rumo à Porta Santa, situada na Basílica de São Pedro. Enquanto grupo, já era possível identificar a ação de Deus dia após dia e, durante a caminhada até à Santa Sé, isso ficou ainda mais evidente, culminando na emocionante passagem pela Porta Santa, momento em que todos entoávamos o hino do jubileu, certos da obtenção da indulgência jubilar.
Já dentro da Basílica de São Pedro, vivenciámos mais um momento inesquecível: professámos solenemente a nossa fé, rezando o Credo diante do túmulo de São Pedro, o primeiro Papa da Santa Igreja.
Prosseguimos com a visita aos Museus do Vaticano, cujo acervo impressionante nos convida à contemplação da beleza e também da revelação divina - especialmente ao chegarmos à Capela Sistina, com o belíssimo e extenso afresco de Michelangelo.
Encerrámos mais um dia intenso, no qual todos os detalhes nos impulsionavam à reflexão e à busca da santidade. E, como não poderia deixar de ser, o dia terminou com o sacramento da Eucaristia, que é o centro da vida da Igreja, pois, por meio dele, a humanidade de Cristo tornou-se instrumento de Deus, com o qual Ele nos toca e nos salva.
Seguimos confiantes no auxílio de Deus para crescermos na fé, na esperança e na caridade, cientes de que somos pedras vivas da Igreja do Senhor, pois “a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 5).

Dia 4
Neste quarto dia de peregrinação da Esperança, após oração das Laudes, visitámos a “Basílica de Santa Cruz em Jerusalém”. Pudemos venerar as relíquias da Paixão de Cristo encontradas por Santa Elena no Monte Calvário aquando da sua peregrinação à Terra Santa no século IV e trazidas para Roma. Relembrámos o sacrifício de Cristo. Aqui rezámos para que as nossas cruzes possam ser vividas como caminho de ressurreição.
Seguimos para a visita ao museu e à basílica de S. João de Latrão - a Catedral da Diocese de Roma, a mãe de todas as igrejas, a paróquia de todos os católicos! Na curta procissão de entrada na Porta Santa, a oração e o hino da esperança que entoámos relembraram-nos a indulgência, o perdão infinito de Deus Pai, a misericórdia incansável que tem para connosco. Reafirmámos a nossa condição de peregrinos da esperança!
Fizemos uma oração pelo Papa Leão XIV, o nosso Pastor: demos graças e pedimos que se sinta fortalecido na sua missão.
Visitámos a Escada Santa, local pleno de significado pois representa a escada usada por Jesus para entrar na sala do interrogatório com Pôncio Pilatos. Aqui vivemos a nossa fé em Cristo Ressuscitado, em Jesus Cristo Salvador!
O nosso roteiro terminou na Basílica de São Clemente Romano. Neste magnífico local pudemos perceber a evolução da prática do cristianismo desde os primeiros séculos até aos nossos dias pois conservam-se aqui três pisos distintos de fases diferentes. Foi gratificante e inspirador estar entre as paredes de uma Domus Ecclesiae onde se reuniam os cristãos no século I e II d.C, imaginar as suas dificuldades e, ao mesmo tempo, a persistência na sua fé!
Terminámos o dia com a eucaristia, momento de comunhão e ação de graças pelo dia profundo que vivemos.
Tivemos oportunidade de refletir continuamente sobre a Cruz como símbolo da entrega de Cristo para nos dar a vida eterna – a Cruz como fonte de vida, ressurreição e amor.
Sentimo-nos plenos de graça, a caminho!

Dia 5
No último dia começámos bem cedo com a eucaristia. Demos graças comunitariamente por tudo o que vivemos nesta peregrinação e pelos frutos que fará crescer em cada um nós.
De seguida fizemos um passeio a pé por Roma barroca. Foi uma belíssima oportunidade de apreciarmos alguns dos muitos oratórios com imagens de Nossa Senhora existentes nas fachadas dos prédios romanos. Estas imagens, outrora, anunciavam publicamente a religiosidade dos habitantes dessas casas. Foi bonito conhecermos uma nova perspetiva de Nossa Senhora, a de agente de união dos habitantes de Roma. Por tradição popular foi adotada como padroeira da cidade, sem o ser, de facto!
Entretanto detivemo-nos na praça Navona, diante da Igreja de Santa Inês em Agonia. Conhecemos detalhadamente as três fontes que se encontram na praça e o Obelisco. Novamente, percecionámos a água que brota das bonitas fontes romanas como nascente de vida!
Visitámos o panteão, agora Basílica de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires. Aqui se honram os primeiros Mártires cristãos.
Entretanto, chegámos à Igreja do Santíssimo Nome de Jesus, Igreja mãe da Companhia de Jesus. Ali visitámos o túmulo de Santo Inácio de Loyola e a relíquia de S. Francisco de Assis. Uma igreja diferente das que havíamos visitado até então, plena de pormenores que nos permitiram perceber a evolução da prática da fé cristã.
Avançámos até à Fonte de Trevi e pudemos usufruir de tempo livre para passear por Roma e deliciarmo-nos com as suas particularidades. Quanto património histórico e gastronómico!
Ansiosamente, partimos para o ponto áureo do nosso dia: a visita à Basílica de S. Paulo Extramuros e a passagem da sua Porta Santa. Uma vez mais, comunitariamente, atravessámos a Porta Santa entoando o Hino da Esperança. Não conseguimos expressar por palavras o que sentimos naquele momento. Transbordámos de fé e gratidão a Deus pelo seu amor por nós, humildade e confiança na sua indulgência...
Resumimos os alguns testemunhos de alguns peregrinos:
Esta peregrinação revelou-se uma experiência profundamente marcante. O Padre Pedro Santos estruturou-a de tal forma que a oração e a partilha foram sempre o foco principal. Conheci pessoas extraordinárias com um espírito de união que refletiu o verdadeiro espírito da Igreja viva. Sentir a presença de Deus em cada passo foi uma graça indescritível, voltando assim com a fé reforçada e com o compromisso cristão renovado.
Sofia Vinhas
Participei nesta Peregrinação a Roma quase por acaso – porque acredito que o que nos vai acontecendo pela vida fora, nunca é por acaso – pois fui no lugar da minha irmã Joaninha. Uma peregrinação é sempre um caminho e neste caso um caminho em conjunto com outros peregrinos e os seus vários motivos para participarem nesta viagem. Peregrinos muito diferentes, mas todos com muita Fé. Também julgo que, para mim, o verdadeiro sentido desta peregrinação, o vou sentindo e percebendo aos poucos e o passar do tempo vai mostrar-me a sua importância, a proximidade de Deus e fazer-me companhia.
Isabel Maria da Costa Lobo
Fisicamente foi desgastante e desafiante. Mas espiritualmente ficámos com o coração feliz. As eucaristias e explicações do Padre Pedro foram importantíssimas e profundas. Foi pena o Papa estar de férias em Castel Gandolfo. O grupo era coeso e fomos convivendo e partilhando as nossas emoções e orações. Nunca tinha estado em Roma nem no Vaticano. Foi soberbo e inesquecível.
José A. Crespo de Carvalho
É sempre bom voltar a Roma! Nesta cidade encontramos uma parte significativa da nossa história cristã e somos confrontados com a beleza de uma Igreja que se reúne de todos os lugares do mundo, una na sua diversidade, santa na sua fragilidade, católica na forma como acolhe a todos, apostólica porque alicerçada no testemunho dos apóstolos. Fazê-lo neste ano jubilar, com a comunidade que servimos, tem um sentido especial, porque nos faz experimentar, como família, a graça do amor do nosso Deus que reacende nos nossos corações o dom da esperança e nos faz ter a consciência de sermos peregrinos da eternidade. Só posso estar grato pela experiência vivida e agradecer o dom de todos aqueles com quem partilhei estes dias e de todos aqueles que levei no coração.
P. Pedro Santos
Em comum, todos temos a Esperança... a certeza… de que, após esta peregrinação, seremos peregrinos de esperança para toda a vida!
A peregrinação começa agora!